Profecia de amor.




prosa poética de minha juventude
(1978)

PROFECIA DE AMOR




Imagino teu corpo, teu semblante mais bonito. Reflito...
Até o ato de eu te recusar e querer sumir, e ser fraco demais,
e querer te odiar por uma besteirinha qualquer... pra mim,
isso é amor. Você dirá: "Por quê?!"

Porque teu olhar fala por você não sei o quê!

É mistério o que nos junta e separa. É de perto, é de longe.
São nossos atos falhos. É você na rua vagando a esmo;
sou eu, noutra, vendo em outras teu retrato. É nossa vida
na vala da mesmice. É todo amor que prometo e que escondo
numa profecia que nunca te disse. Então fico calado. O
silêncio é o depois, talvez amanhã, a semana que vem...

Depois de pensar em tudo me acalmo. Sinto. Sinto pelos
abraços, beijos e carícias que já vi-me te ofertando.

Que coisa linda é o absurdo de tentar te entender. E
já não é-me impossível continuar te amando anos e anos.
É fácil.

Já nos pertencemos. E temos a vida toda para fingir o
que já sabemos. E o cumprimento da profecia estará no
momento de magia, no algo bonito, diferente do que já
foi escrito.

Amanhã não será tarde.




***

Companheiros de Estrada & Amigos