terça-feira, 13 de janeiro de 2009

1978

1978


COMPRA-SE FORTALEZA.
COMPRAM-SE SEUS SOLDADOS
COMO NÓS, ILHADOS,
PORQUE INFIÉIS TORNARAM-SE AS SUAS ALTEZAS
E, NESTA REALEZA, COM CERTEZA,
SEUS PASSOS FORAM APAGADOS
NOS CAMINHOS DO RECESSO
HOJE ILUMINADOS PELA MÃO DUM CONGRESSO
E DE GOVERNOS DESGOVERNADOS.

ENTENDO QUE EXISTAM OS HUMILDES
QUE SUAM E SOFREM PELA CONTENDA EXTREMISTA
E O PÃO À MESA
PARA QUE OUTROS SAUDÁVEIS
EDIFIQUEM SUA FORTALEZA,
SEM QUE O TUDO SEJA O TUDO MATERIAL
OU UM PADRÃO CONVENCIONAL
E OS MALES QUE DELE PROVÉM,
COMO UM FUTURO ENGANADO
PELO SONHO EMPÓS DUM IDEAL
MESMO QUE AS NOSSAS COSTAS NOS BATA
COM GRAVATA E COISA E TAL
UM LADRÃO PROFISSIONAL
OU ALGUÉM DA COR DA MATA.

HÁ OS PODERES
CONFUNDINDO MEU PENSAR,
POR UM TODO DIA TRABALHO
QUATRO CARTAS DO BARALHO
SÃO AS MAIORES DO JOGO DE LUTAR
PELAS LEIS DESTE LUGAR
QUE FAZEM DA VIDA
UM ATALHO AO NÃO SE CHEGAR
TORNANDO-ME UM SEM SORTE
QUE NO TEATRO NADA REPRESENTA
E SÓ O CÉU ACALENTA
A VISÃO DO CRUZEIRO RUMO AO NORTE
E UM DIA, COM UM POUCO DE SORTE,
ALGUÉM ME EXPLICARÁ
PORQUE AS ESTRELAS DAQUI
NÃO BRILHAM COMO AS DE LÁ.

(1978)