quarta-feira, 20 de maio de 2009

MEUS ANARQUISTAS



Eis um homem.
Serram-lhe as mãos
De tchaus ao sistema.
Arrancam-lhe os braços.
Serram-lhe os pés
De fuga em disparada.
Arrancam-lhe as pernas.
Não possue mais os membros,
Mas ainda é um homem.
Sua língua tá afiada.
Mais.
Decapitam-no.
Incineram seus livros memoriais:
Nasce a lenda.
Investigam:
Nasce a história
Do animal desgarrado,
Manso,
Xucro à vida de gado.

Eis seus rebanhos
Nobres senhores.
Armaram rede de malha fina.
Anarquistas são peixões
Raros em rios poluídos.
Mas, adaptam-se...


(1998)



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