Talvez todo amor só esteja numa metáfora...



Amor
laço falso que desata
asa que não voa
prego que bambeia
canto de sereia
plêiade de iletrados
riso de cócegas
choro sem sangramento
salto no impulso refugado
exílio autodesejado
futuro bloqueado
barragem inútil
animal sem arreio
no toque da espora
...
súplicas ao deus carnal
flor ressequida no vaso de areia
inseto debatendo-se na teia
uma só candeia
a iluminar as trevas
da rosa-dos-ventos


Amor
experimento nascido doce
que se faz em sal
mostra-se nos olhos
de quem o conte
nos poros
nos pingos
roçando a face defronte

Amor
vazio de dor
nem vencedor nem vencido
se todo amor sem tê-lo
versejar
velejar é preciso

A metáfora alivia
da palavra o amor se apropria
na figura a colocar
o sentir na tela da cela fria
de porta aberta
se não se sabe ao certo
se lá fora no deserto
muitas faces
nem veem o amor passar


***
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