quarta-feira, 27 de novembro de 2013

bananas, ó




como a banana
jogo a casca com um teco
atrás 
um andarilho a recome com os olhos

penso
tem sempre alguém pior que eu na estrada

pois é

nos meus rolês
noto as grades das casas  pintadas
circundadas de cercas elétricas 
redutos de privacidade
de gente prisioneira da liberdade

os noias circulam feitos insetos na luz

uma ambulância
um camburão

tá tudo dominado
ninguém se garante nesse estado

sou tão zé-ninguém
que se malaco quiser me roubar
é bem capaz de me deixar um trocado

no mais
tô indo embora
tanta transformação banal
as mesmas cartas amarrotadas
de mão em mão
passadas

encalacrado
de  tudo um pouco
corrompe-me


como o exemplo que vem lá de cima
lá  do cerrado
...

aos órfãos igualitários
da segurança

bananas, ó





**