sábado, 30 de novembro de 2013

quando por um momento






quando
por um momento
trilhares nossos passos andados
e sentires minha ausência
no teu colo quente
e meus braços a envolvê-la,
enfim saberás do vazio que ora sinto,
saberás dos espaços
entre estrelas que se apagam,
saberás  do cão  solitário
que ladra sem destino pelas madrugadas frias;
saberás da solidão aflitiva
de quem por ti reclama,
de quem mantém a chama lucilante
dum regresso improvável,
saberás dos amores dos pescadores
dos estivadores que suam no cais
de tantos portos que percorreram
e continuam apenas se deliciando
com a visão do imenso oceano,
saberás o quão dolorido é sentir-me vadio
sem ser vadio de índole

e se pegares as antigas fotos
já não verás mais nossos sorrisos
nossos amores de improvisos,
já não verás aquele nosso filme
nossas estadias a deus dará
que o vento da paixão nos levava;
talvez traias teus desejos atuais
os detalhes do que vivemos
no campo
em  casa
à beira-mar
naqueles telefonemas inoportunos
dum moleque que vivia nas nuvens
dum moleque que tiraste do ostracismo
rumo  a um futuro sem planejamento
que só o sentimento construia

quando
por um momento
deitar-me em teu colo ainda quero
espero
numa espera vã
que surjas do nada
como uma fada
capaz de transformar sonho em realidade
perdido nesta cidade fria
de gente apressada
de amores passageiros
que já nem nota em mim tanto dilema
que beira a ironia
neste viver enganoso sem esquema
tão descartável
como um romance que se lê
e fica esquecido na estante

quando
por um momento
lembrares de mim
lembrarás de nosso tudo quase nada
e eu
de meu nada que me fez em tudo
lembrar-me de ti
num voo  solitário...


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