Vejam só:






Vejam só:



"Uma ave migrante - quase extinta - saiu do meu cérebro turista
e pousou na tinta do concreto da confusa Avenida Paulista.



De repente foi apedrejada e voou, voou, voou a um horizonte incolor,
como um 747 em pane geral, despertando o sonhador na página dum jornal.



Assim, a ave migrante - quase extinta -, ferida, distante da cidade, morreu
esquecida na visão da realidade.



Agora pergunto-me, sendo também um animal: por que uma ato
bestial, desde a semente da origem, diz não a um pensar virgem,
se a fera interior pode ser controlada com outro não à mão-armada? -
se há a sabida intuição imediata?... há a vontade de sentir-se gente
e que o 747 pouse suavemente?



É impossível alienar-me do inferno sob o céu na luminosidade de Platão.



Mas há de haver - ainda - alguém procurando límpidas pedrinhas de
areia encimadas pelo lixo intrínseco contornando os continentes....



Outra ave migrante - quase extinta - saiu do meu cérebro turista
e pousou na tinta do concreto duma avenida paulista....



Por mais que se atire pedras sempre haverá um homem que lá, lá
no seu nicho imaginário, fugirá do presente na lucidez dum diário."




(scsul - 1989)




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Companheiros de Estrada & Amigos