ó mar de lágrimas pequeninas...






ó lágrima pequena
ó mar de lágrimas pequeninas!

não morra em mim 
o presságio aventureiro 
do amor inacessível
a partir desta janela
de vazios


não aprendi a amar
mas sinto que amo
nesta busca inútil
do encanto me levar


não morra em mim
o que sinto 
sem nunca ter visto nascer
o afã gratuito
que a vida me deu


ó mar de lágrimas
ó presságio aventureiro
dum amor tão porto
na solidão das noites

quanto querer assola
meu coração abatido
se na longa estrada 
inda teu amor persigo
se mais e mais a distância nos separa...?

mas saibas, amor
o tempo deixou-me lento
como o enferrujado catavento,
minhas asas cansaram-se
minha cabeça é  máquina ultrapassada
contrariada
barulhenta
que se silencia quando penso em ti
...

por esquecer que meu tempo
passou como o brilho d’água das poças
e aquele teu último olhar
que vi na caótica avenida
sem que pudesses escutar meus gritos

já se foi mais um dia
já se foi mais uma noite
Somente nossos sonhos sonharemos

preciso iludir-me
externar meus ais
quero sentires símplices
pra deles criar alegorias
amor & paz de espírito
já não me basta orgasmos intelectuais!

Esta sede de amar me deixa tolo
 Mas tolice é não me deixar levar

ó lágrima pequena
ó mar de lágrimas pequeninas!
sinto-me ilhado sem ti pra navegar


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Companheiros de Estrada & Amigos