quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

cãs.






cabelos brancos
fachos de nuvens
ao brilho lunar
relógio biológico
resumo
ao começo do fim chegar

quem não os têm
muito há de pelejar

trago inda no peito
a força dum dia voltar
a doce meninice
que feliz eu podia brincar
cego ao bem e  mal
sem saber que de mansinho
tudo vai partindo
como a imagem do espelho
que passo a passo
 retro
perde-se na distância
sem que se possa
para a frente retornar

mas, por ora
daqui eu peço
ao tempo sem regresso
:
não me leve no céu voar
como um boing sem destino
que não sei onde vai pousar
se me resta o posfácio vivente
que reluto e não assino
num fio a me fiar


passou...passou...se foi

quem me viu
de repente
assim
do nada
não mais me verá




*****