sexta-feira, 28 de março de 2014

poesia logo agora!






    poema dum andarilho com um binóculo na mão

olhou
focou
mais à frente tudo embaçado
apertou o passo


***

       poema duma música cafona

foi tempo
já não era mais
tentou requebrar
olhou–se no espelho
viu um corpo atravessando o ritmo


***

      poema da abelha desgarrada

pousou num girassol amarelo
recolheu as asas e se atirou


Na  língua dum sapo de plantão

No último ato de existência o ferroou

tem muita gente que morre abelha
tem muita gente viva com dor


***

  poema desproporcional em relação  à magia da vida

escrevo o que não vivi
vivo o que não escrevo


***

     poema da saudade do cadillac verde que passava

nunca tive um
foi um sonho que passou em minha vida
da mesma forma que hoje quero um Ford 2012
os carros passam., a  vida voa...


***

    poema para um mandacaru apodrecido

não  morreu de sede nem de fome
meteram-no o machado
não tem valor mesmo!
coisinha banal.
parece manchete de jornaleco popular!


***

     poema do enxadrista no xadrez

cobertura de alto padrão
quatro vagas na garagem
ficou amigo do serviçal
esqueceu-se  que era do alto escalão
um trocado a menos
foi dedurado sem perdão

uma vacilada
uma desconcentração
se perde o jogo
descamba 
vem à tona a embromação


***