sexta-feira, 21 de março de 2014

por tanto, sem muito a doar






tanto que eu queria me sentir bem
em convívios sociais
e rir o riso largo
sem encenações plurais

e que depois
quando eu pra casa voltasse
não me esquecesse de todos os lares
não fechasse a porta
de meus húmiles olhares

tanto perdi
em meros resumos peculiares
deste chão empós dos mares
que tracei mas não vivi

tanto tempo faz
me apraz pescar a verdade
de que pra se viver na cidade
há de se fisgar a rara sinceridade

dos que passam por mim
(sem o riso e sem o choro
singulares do plural)
tão incertos e cegos
às reações não tardias em meu rosto
escondido no negror de mim
em dias tão claros
tanto que este maldito abandono
faz-me buscá-los
num desespero qualquer.


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