Um soneto ao (meu) poema




deixo de lado a simetria do verso
desconverso se meu peito inflama
nem sei se ele voa odeia ou ama
já que meu olhar reclama Imerso

escrever poesia essa inútil cigana
que vaza ao cosmo bom perverso,
seca-se sedenta à garapa da cana
doce amargor em sentido inverso

só verso porque o verso me engana
me engano criando outro Pós-verso
já Emerso no festim da vida insana:

fraco simulacro de onde tiro a gana
pro universo, meu Pré-verso disperso
tal um soneto livre sem luz sem chama




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Companheiros de Estrada & Amigos