sexta-feira, 25 de abril de 2014

A AVERSÃO AO OUTRO



A AVERSÃO AO OUTRO


(Comentando Gilles Lapouge, correspondente do
jornal O Estado de São Paulo.)


"Há países na Europa subdivididos, isto é,  falam a mesma
língua quando colocam, acima de tudo, os interesses nacionais,
seja pra expulsar os imigrantes ilegais e/ou clandestinos, seja para
a guerra... e também a guerra, ou melhor, o repúdio ao direito de
ir e vir de qualquer indivíduo. Como absorver tanta pobreza? 
Como dar o mínimo necessário a tantos excluídos em busca de
uma oportunidade? Bem... os governos que resolvam, mas da
forma mais humana e menos política possível."



No desfile bélico

passam os recrutas
atrás do imponente sargento.


Nesse instante não há dissidência.

Regiões viram país.
O 'Antagonismo Interior' vira monumento:


Fora o estrangeiro!

Fora o clandestino!
Vigiem as fronteiras,
as estradas!
os mares com suas fragatas destróires,
com seus sensores cardiológicos
e censores pra não entrar nenhum lazarento!!


27 países: uma só Europa:

O 'Antagonismo Exterior'.
27 rotas demarcadas
e um babel de propostas...
e soldados patriotas
marchando com suas botas:
direita-esquerda, volver! -
lado a lado num só corpo.


Ah, os pobres

da África, da Ásia, dos continentes!


Ah, a terra prometida

sem mapa, sem cor, tão pequena!


Passou a banda.

O desfile acabou.
Há consenso, mas não com senso, direi.


Enquanto durou,

vi a Europa como um só país.


Apaguei na lousa os traçados a giz.

(os que separam nações)
Deixei apenas o contorno.
Separei só mar e terra.
Vi o homem como animal
mijando para marcar território.
É a lei da natureza, pensei.
Não o vi matando por instinto, pela fome,
quero crer.


Clandestinidade não é opção.

É uma fuga para a decência, acho.

Rehgge.


***