Assim vou levando a vida





Assim vou levando a vida



Eu queria ser o artista
Que falasse mais que um quadro,
Mais que palavras,
Mais que um filme,
Ter um gênero insólito, espetacular, telepático,
Que nunca jamais se pensou,
Mas, talvez um chip em meu cérebro e em outros,
O futuro, deste 'querer,' me garantisse...

Eu queria falar face a face
Ao epicentro dos sentires, das reações
Da aurora ao crepúsculo do anoitecer
E que noite adentro
Meu espírito despertasse todas as nações
Para apreciarem minha obra.

Eu queria falar da tristeza, da alegria,
Da agonia, da monotonia,
Acalmar a fúria d'alma endemoniada,
Confortar os pobres na vida vazia;
Rir com os ricos,
Tão iguais em minha filosofia.

Eu queria ser o artista desesperado
Sem ter a desesperança de companhia,
E que o quê de minha revolta
Virasse tinta demarcando os lares dos excluídos
Nas cores da aérea fotografia.

Eu queria recriar a música ausente
Inescutável no presente,
Ver a vida simplesmente
Num canto acomodado,
E assobiar,
E não sentir saudade,
Se todo dom artístico eu queria
Pra demonstrar o pleno amor
Tão idílico dentro de mim,
Mas que em atos nunca realizei,
Se o que talhei e esculpi,
Esqueci...

E, na vacuidade deste refletir,
Esta ganância de superar-me
Supera a engenharia de arranha-céus,
Dos desafios,
Abre a porta da interrogação
E saio vasculhando ao redor
Andando e andando na travessia

Só me resta criar e recriar.
Suportar.
Achar um jeito.



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