quarta-feira, 2 de abril de 2014

do cume ao fundo


o artista quando perde a flama
a fama
sobrevive de antigos sucessos

talvez não perca a gana
em seu ostracismo

talvez 
cínico
se olhe no espelho
com seu traje de show
talvez  sorria
com as novas rugas do que passou

e nem se dê conta
que seu trajeto cessou
numa espelunca suburbana

holofotes viram velas
hotéis de luxo -- casebres
estrelato --  querelas
da maior performance sem grana


tudo que sobe
desce

parece um poema
que trago como lema
enquanto meu corpo perece

artistas são assim
dos maiores aos menores
ficam os registros
de tudo que se esquece
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