sexta-feira, 4 de abril de 2014

sobre o relógio biológico.



numa miragem
vi a topografia do paraíso
que outrora eu queria
desatento ao que seria
o desencanto
que ingênuo eu não via

de tudo aquilo que eu sentia
fiquei apenas
com a visão menina
fugidia
que desde então
até agora
saber que regressar
àquele lugar
eu jamais poderia

sem nexo nem regresso
como é duro perder
a pueril sensibilidade
do sonho estacionado
no rascunho de um dia
já tão distante
se doravante
meu verbo viver
é o pretérito mais que perfeito
vindo
mais uma vez
numa hora vazia


***