quinta-feira, 8 de maio de 2014

E se...















E se tenho o amor
Que não consigo demonstrar
Nem em fragmentos à vida estranha...
Como posso te amar
Se apenas me conheces por fora
Se não decifras minha entranha...?

E se me treme a carne
Nos jogos da vida insana
Se perdedor sou se olho pra mim mesmo,
Como posso antever suas palavras
Ir empós de teus sonhares
Se inerte, caído, corro a esmo?...

E se do meu sentir me silencio
Quiçá um dia leia as palavras não ditas...
Deveras as procure em teus amores idos
E sinta a lâmina de minha sangria
Minuto a minuto o quanto eu queria
Demonstrar te amando o que não sabia.

E se por ti sobrevivo
Pisado por teus pés,
Sou sem valor a erva daninha
Que renasce na solidão deste mundo
No deserto, sozinha.
...

E se não me foges embora corras
Como posso brindar a alegria
Desse amor ficar mesmo que tu morras
Nuns passos seguros
Noutros de masmorras?


Será que nunca vais me amar
pelo que sou sem demonstrar?
Será um interlúdio, um vacilar
De toda uma vida a corroer
Meu âmago
De ter a maldita esperança a me prostrar?
...

Jogarei minhas fantasias no pretérito
Estarei cicatrizado no futuro
E no presente, as dores tenho que aguentar?
...

Mas são minhas as dores que retratam
Tudo que não sei dizer
...

Ao espelho digo
E desdigo a inventar
Refazer miragens
Sentir-me um tolo
Somar, tirar
De tudo o quanto sei te amar...




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