Palavras do ícone imortal Mário de Andrade



''O que me interessou por  Macunaíma foi incontestavelmente a preocupação em que vivo
de trabalhar e descobrir o mais que passa a entidade nacional dos brasileiros. Ora depois de
pelejar muito verifiquei uma coisa que me parece certa: o brasileiro não tem caráter. Pode
ser que alguém já tenha falado isso antes de mim porém a minha conclusão é uma novidade
para mim porque tirada da minha experiência pessoal. E com a palavra caráter não determino
apenas uma realidade moral não, em vez entendo a entidade psíquica permanente, se manifestando por tudo, nos costumes na ação exterior no sentimento na língua na História na andadura tanto
no bem quanto no mal. O brasileiro não tem caráter porque não possui nem civilização própria
nem consciência tradicional.

Os franceses têm caráter e assim os jorubas e os mexicanos. Seja porque civilização própria,
perigo iminente, ou consciência de séculos tenham auxiliado, o certo é que esses uns têm caráter.
Brasileiro não.  Está que nem o rapaz de vinte anos: a gente  mais ou menos pode perceber
tendências gerais, mas ainda não é tempo de afirmar coisa nenhuma. [...] Pois quando matutava nessas coisas topei com Macunaíma no alemão de Koch-Grünberg. E Macunaíma é um herói
surpreendentemente sem caráter. (Gozei)"


Palavras do imortal  
Mário Raul de Morais Andrade.
(nascido na rua Aurora, cidade de São Paulo,  em 9 de outubro de 1893)

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Mario de Andrade inovou a literatura brasileira ao ir na contramão das narrativas até então

publicadas, posto que em Macunaíma mostra-nos entre lendas, crendices e regionalismos a visão
de quem desconhece a civilização socialmente estabelecida, daí tantos termos inusuais e novidadeiros
próprios da terra brasuca. Creio, também, que o Mestre lutava por uma literatura unicamente
tupiniquim pra igualar-se e fugir das letras literárias que, na época, serviam de modelos. Quem ainda
não teve o prazer de ler o livro (Macunaíma), com certeza vai se deliciar com a narrativa pulsante
em que o autor fez questão de dispensar as vírgulas. 

(palavras do poeta e escritor Rehgge).




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