quinta-feira, 8 de maio de 2014

SIGNO






Aqui no meu canto de hábito bolorento,
A poucos metros do trópico de Capricórnio,
Piso fundo no acelerador
Pra fugir do incômodo
Formigueiro paulista
E da crença de milhões de 12 signos possíveis.

Estou entre o leão e a balança
No horóscopo diário.
Estou temerário:
O adivinhador deve ter-se enganado...
Há uma luz no fim desta rodovia,
Uma luz que quero crer que está lá,
Diferente dos faróis que só eu vejo...
Sou teimoso, persevero;
É minha natureza
Apontar ovnis nos céus
Sem crer que existam...

Em olhares ladeados
Percebo o som dos animais,
O som d'água orvalhada pingando no chão
Entre as matas
De morcegos silenciosos...
Tenho a sensibilidade
De romper entre os cristais
Com um corpo a preencher
Os espaços vazios da grande sala
Sem tocá-los...

Carne e espírito.
Qual a diferença
No pingue-pongue intelectual?
O signo erra, eu acerto;
Eu acerto, o signo erra.
Os planetas gravitam em torno do Sol;
Eu, em busca de um sonho...

5.a MARCHA.
A luz que só eu vejo
Está cada vez mais distante...
É a luz dos devotos
Carregando a estrela de Belém apagada...
E um ilusionista
Lá no fim da estrada
Se traveste de palhaço
Pra me fazer rir...
Diz em voz alta:
'Virginiano, patati, patatá
E outras asneiras"

E um apagão acontece.
O mundo acabou... o imaginário.
Um de qualquer signo
Podia estar aqui comigo.
Acabou a gasolina.
Que bom sentir à realidade.



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