segunda-feira, 2 de junho de 2014

a morte banal dum ser bestial qualquer



vejo um corpo gelado
um funeral 
uma banda na praça
toca suas marchinhas
entre milhares
alguns olhares

morreu um qualquer
alguém está em pranto
o morto não era santo
mas lá na cerâmica
moldam-se aos milhares
de vários nomes

o que não se tem certeza
é se alguns deles
num incontido aperto
ocuparão o altar
pra servirem de exemplo
ou serem refugados
como peças sem conserto


o funeral passou
quem se importa?
a vida é uma festa
mas o falecido
num ato de fúria
abriu de fora a fora a aorta.

morrer custa caro
tenho como parâmetro
o salário dum operário
mas não tem jeito
cada qual tem seu fadário
tudo é temporário?
não!
tudo é tempo e horário!
eis a interrogação
que aqui exclamo
imaginando
seu corpo se decompor
na esquife dentro do  túmulo

tudo devia ser belo
mas enfeitar a morte
é o cúmulo do cúmulo.

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