Aline 18








pra me perder no olhar duma linda mulher
que me leva a lúdicos paraísos abstratos
já não me basta apenas contemplar
preciso tocar
preciso sentir seu cheiro
preciso rejuvenescer
preciso voltar a ser moço
preciso ousar dizer o que sinto
quando as palavras me faltam
num jogo de quebra-cabeça
em ilhas distantes
e labirintos gravitantes em torno da alegria
que em mim fez morada 
sem que seja apenas febril
peço:
'não me deixe fada
estou a mil'

preciso prolongar esta maldita ilusão
pra não me fechar em meu micromundo
voltar a estaca zero
e matar-me aos poucos o desencanto
... 

'ó espelho
espelho meu
por que aline me judia
sem saber
que já sou velho demais
pra ser o seu romeu?'

pra me perder no olhar duma linda mulher
que o meu roubou numa noite neutra
finjo uma história de amor improvável
crio  fantasias no recôndito de meu ser
é outono eu sei
só eu sei de meus outonos... 
mas por quantas estações passarei 
até  chegar a estação que ela se encontra?...

o amor é mesmo engraçado:
já fui íntimo de muitas mulheres
por dias e dias
que se tornaram iguais
mas 
como posso 
de repente
amar alguém que apenas sei o nome?
, que apenas mirei entre tantas?
será aline uma garota magnética?
, ou o visgo dela
é o estímulo virtual
pra que eu me esqueça
de quão carente sou?

pela primeira vez amo em segredo
sinto-me mais vivo do que nunca
sou um cara experiente 
na aprendizagem amorosa
mas
se um dia tivermos
um dedo de prosa
um poema escreverei
 a fim de externar
como me perdi no olhar duma linda mulher
engoli uma declaração de amor improvisada
 e segredei todos meus desejos...


***

Companheiros de Estrada & Amigos