sábado, 5 de julho de 2014

O QUE TODOS PROCURAM




O QUE TODOS PROCURAM
(crônica de um dia)



na estação:
lusco-fusco do dia.

é o rush de toda hora.

formigueiro em desarmonia.
babel sem sintonia.

o que procuro,
indo e vindo entre desconhecidos?

figurantes, destino tal...
cada um em sua busca pessoal.

quem são?
o que procuram?
o que todos procuram?

cheguei, já é noite.
coloquei-me num ponto à margem:
camelôs, bêbados,
gente bonita, gente feia,
trabalhadores;
gente que vai e volta
com seus caraminguás
em grupo, só, pelo grupo
nos bares, nas ruas, nas praças.

e o formigueiro se desfaz.

o que procuro?

miro o prostíbulo de infelizes,
resumo dum gozo rápido
na pressa de viver.

talvez agora
um contato virtual, sei lá,
pra aliviar a alma
quando noto um casal.

de repente
coração que se contrai:
o formigueiro se forma.

de onde vêm?
pra onde vão?
o que procuram?

é mais que sobrevivência, vai além...

***