sexta-feira, 22 de agosto de 2014

inquietações













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Versejarei ainda em noites
Pensando só em mim
E na aversão ao noticiário global
Que contrai a finita espiral de minha verve
De meus anos inúteis
Apagando-se
em sentido anti-horário,
Até o ponto inicial...?

Versejarei ainda em noites
Se o avesso
Põe cabresto no meu pescoço
E me puxa para o orco
Que há muito desviou meu olhar?
De que valem meus versos
Nas noites solitárias
Se mesmo quando não quero escrever
Sinto a necessidade em dizer
Que não sou neutro
Apenas só
No mundo que eu mesmo invento.
De que vale o belo, o feio
Se creio
Que eu devia ser eterno
Se tantas noites
Apesar de só, anseio.

Versejarei ainda
Na escuridão dos solitários
Se minha luz se desconstroi
No prisma das emoções...
E o que me resta
Senão um quadro envelhecido na parede
De quando eu era jovem
Não menos só
E me interrogava
E respondia pra mim mesmo:
De que vale não versejar
Se em cada poema
Morro devagar como um dia
E versejando
A vida me apressa
Sem duvidar que assim sou,
Que só, desde então
Aceitar o peso que carrego
É a cruz invisível
Que não sei quando nem onde
Hei de me crucificar.

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**** (Rehgge. copyright 2004)