quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O CANTO DO UIRAPURU





poema de Rehgge
declamação de José Silveira


O CANTO DO UIRAPURU




Daqui só eu o escuto
Meu uirapuru esquecido
Em meu nicho insondável,
Mas se estivesse aqui
Neste canto agradável
Por ti nascido
Apenas seria,
Apenas seria
Só mais um canto
Só mais um em desarmonia.

Me vejo de lá
Me vejo
De pureza temerário
Triste, solitário,
Não seria a vida
Apenas um canto
Num 'canto' imaginário?

Canta uirapuru , canta
A nossa lida ordinária,
Canta que inda te vejo
Na floresta temporária.

"Canta, canta
Canta e dorme,
As luzes se acendem
Sob as luminárias;
Canta, canta
Canta e dorme
Se já não durmo
Em poesias várias."

Ah!
Se eu fosse o passaredo
Daqui não precisar
Conviver com esta gente,
Ser igual ao uirapuru
Que distante canta triste
Mas vive alegremente...

Ah!
Se daqui eu cantasse somente
Sem rosto
Sem ser pássaro
Numa melodia em torrente
Que me saísse do peito
E um coral cantasse
À vida ausente!



***