terça-feira, 23 de setembro de 2014

o segredo das chuvas.




esboço natural
deixado na superfície da pedra
em contornos de respingos
que o tempo descolore
desde o entorno no chão

águas que invadem as praias
pintam com a tinta das chuvas

o olho que vê
retém a tela disforme
copia
cópia de ventania
acrescenta-lhe alegoria
à cegueira
de quem não sente
que o presente
se vai manso
na tempestade de um dia

porque

se se arrancar a pedra
eis que se tem
a obra fugidia
e em seu lugar
renasce do oco
pela inspiração
a mutável arte
vivenciada
ao olhar sensível
vívido
a cada nuance
gerada
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