terça-feira, 16 de setembro de 2014

que saudade de tudo que reside em mim




ó verdes trilhas das campinas
em que a gente corria
com os pardais
pra solver as águas das minas
e nadar como peixes
na chuva nas piscinas

ó saudade bandida
da vida colorida
que se desfez

já não posso
tocar-lhe a tez

dói-me mais esta ferida
da antiga
perdida pequenez

ó brejos
do meu pé de serra
hoje em mim se encerra
toda ingênua lucidez
quero inda ver o barro
sentir o aroma das brumas
tocar a menina miudinha
fruto da terra
que mulher se fez.


a minha voz daqui berra
o canto-desencanto
e em acalanto
vem lá a chuva do pranto
inundar
meus olhos cansados
a tantos brados
mas inda sorrio
como o namorado
da vida envelhecida
que comigo foi cortez
resumo e resumo
meu sumo
que deságua em fluidez

às campinas
às trilhas
às piscinas

aos moleques serelepes
às meninas
e você
tão engraçadinha
pobrezinha
coradinha
pezinhos barrentos
cabelinhos aos ventos
no vestidinho de chita
de mês a mês

me chamando
'vem vem
sou  sua rainha
do inicío ao fim do livro
lembrança do aquando
da felicidade prisioneira
que a gente tinha
em nosso cenário montês


vem venha
sentir as maravilhas
as verdes trilhas
estou entre as árvores
ao seu alcance
te esperando
a milhas e milhas
em cima das forquilhas
que num lembrar vês.'

ó lembrança
que comigo nasceu criança
envolva-me em teus braços
se viver e morrer ora digo
que até meu findo suspiro
flertarei co'a  plácida esperança
morrendo contigo.



(Rehgge, 1982)



***