quinta-feira, 2 de outubro de 2014

arealva.





foi de lá
de onde na imensidão
a vista se atrapalha
que a vi
que nem que uma ave
caminhando pela praia
ó minha garça madrugadeira

então senti
nascer o sonho
morrer a guaia
no teu balé
de fêmea brejeira

nasci pra vida
outra se ensaia

ó relento das horas nuas
sais de vidas cruas
um dia terei a manta
no sol que se levanta
estendida pelas mãos tuas
nas areias alvas
do coração a mil

seguirei tuas pegadas
apagadas
pelas ondas em desvario

e o calafrio
hóspede do peito vazio
fará da tempestade estio
se só por um momento
teu olhar ler o meu
tão pueril
no cio d'arte
na corrente deste rio
que longe vai
rompendo à distância
deste desejo tocar-te
inda na errância
beijar-te além Paraguai.



*****



nota:

Arealva: areia alva das praias do rio Tietê, interior de SP - que deságua no rio Paraná, divisa com o estado de Mato Grosso