quarta-feira, 1 de outubro de 2014

carta rasgada.






rasgo tua carta
depois tento emendá-la

foi nosso conviver assim

mil pedacinhos de uma carta
que no escuro
remonto em aflição

não há mais tempo
já não faz sentido
palavras já não são

só vejo  letras avulsas
minhas mãos tapando meus olhos

um pensar incoerente
da finda carta latente
que me traz  preocupação

uma lembrança rasgada
espalhada pelo chão

meu ódio ignorante
de íris vertical

'reescreva amor
reescreva-me!
faça-me o favor
num último adeus
incondicional
que tuas palavras colarei em mim'

estes papeizinhos picados
guardarei como pedacinhos de ti

este erro
entre mil erros
que louco cometo e cometi
mas que me  mantém vivo


***