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me fale...

me fale de uma pessoa que nunca quis o paraíso,
e eu te darei o endereço da fonte da juventude.

me fale da fórmula para curar os males mundanos,
e eu te darei a chave da porta eternal.

me fale por que só os loucos sabem amar,
se o amor, para eles, é um ato capaz de 
intimidar a ira extrema, mas também 
causar a revolução, quando, incompreendidos
e descartados, fingem estar mansos para 
desdenhar de sua loucura aparente.
não me fale dos loucos, se você
não é partícipe da loucura.
mas, o que é ser normal?

me fale do giro do catavento, tipo som do tempo,
e iluda-me com aquele mundo intraterreno,
e eu te provarei que tudo é ilusão, tudo é energia,
tudo é reflexo e invisível, e, nosso ciclo
resumir-se-á num epitáfio em algum lugar para ser 
esquecido tal giro do catavento travado pela ferrugem...

me fale de almas bandidas, de pessoas más,
vagantes sem direção, que eu talvez consiga 
te descrever as mesmas como micro estrelas negras
levadas pela lei gravitacional ao vazio da ilusão do firmamento.

me fale que hoje você viu um bêbado gritando pela
calçada, urinando em si, e rindo de sua
desgraça, afinal é na rua, como um desconhecido,
o lugar onde reside sua ideia de liberdade.

me fale, por favor, aí eu te contarei e te mostrarei
o lado dois de todo homem genial, creia,
até eles, assim como nós, têm seus momentos bestas
e se lambuzam e se lambuzaram no idiotário vivencial.



(fim da primeira parte)


***



  À procura nossa de cada dia.


Saiu em busca da felicidade que perdera em algum lugar do passado.
Tardiamente, pensou. Enfim, saiu sem rumo pelas ruas da cidade
com o olhar fixo em cada transeunte.
Na praça, havia alguns palhaços entretendo velhos e moços sorridentes.
Ah, aí está a felicidade, pensou. E ficou ali prostrado, e logo todos
foram se dispersando, cada um com sua fisionomia pela abstração
passageira. E viu que, na verdade, a felicidade era apenas o momento
no qual a gente se esquece de tudo e ri sem querer de algo ou situação
na qual, tal fumaça, se dilui no ar levada pelo vento aos confins...
Voltou para sua casa com a certeza de a vida ser feita de pequeninas
pedras desenhadas numa estrada em branco; dentre elas, há algumas
coloridas, raras, tais respostas ao sucesso. Quando se encontra uma,
o riso é certo: é o momento feliz de gente insistente.
Amanhã sairá de novo para descobrir outra variante de sua procura.




(Rehgge)
















Desejo.





Trago teu encanto no olhar,
no desejo crescente de cada pensamento
proibido de prazer e sedução.
Imagino minhas mãos tateando tua pele,
bem devagar, sentindo arrepios em
fuga de teu corpo.
O coração dispara... e a vontade de tê-la
mais perto torna-se insuportável.
Perco a noção do tempo, se já me
entrego à tua boca, ao teu toque,
para nossos corpos conversarem em
silêncio no ritmo intenso,
no particular que só a gente entende.

_Rehgge)


À procura nossa de cada dia.

 



Saiu em busca da felicidade que perdera em algum lugar do passado.
Tardiamente, pensou. Enfim, saiu sem rumo pelas ruas da cidade
com o olhar fixo em cada transeunte.
Na praça, havia alguns palhaços entretendo velhos e moços sorridentes.
Ah, aí está a felicidade, pensou. E ficou ali prostrado, e logo todos
foram se dispersando, cada um com sua fisionomia pela abstração
passageira. E viu que, na verdade, a felicidade era apenas o momento
no qual a gente se esquece de tudo e ri sem querer de algo ou situação
na qual, tal fumaça, se dilui no ar levada pelo vento aos confins...
Voltou para sua casa com a certeza de a vida ser feita de pequeninas
pedras desenhadas numa estrada em branco; dentre elas, há algumas
coloridas, raras, tais respostas ao sucesso. Quando se encontra uma,
o riso é certo: é o momento feliz de gente insistente.
Amanhã sairá de novo para descobrir outra variante de sua procura.




(Rehgge)




O pressentir do epílogo de romagem











Construí meu castelo com algumas ferramentas
Mais areia, cimento
Pá, enxada - suor - colher, martelo
E entre tantas tormentas
Percebi que as grades não prendem a luz do candieiro


Vazam do meu olho interior sentimentos
À presença do belo natural,
As pedras da edificação
Reconstroem a paisagem dos meus olhos
E a projeção vislumbrante inspira meu corpo ao conforto

O velho artesão de instrumentos
Escolhe suas madeiras pela vibração das mesmas...
Os olhos cansados de felicidade
Sugerem a derradeira canção às léguas por que passou


Miro aves nômades
Miro os pedriscos levados pela corrente
Miro meu castelo - o artesão
Miro a canção da vida
Iludida de tanta realidade.


(Rehgge)













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