retorno às minhas fantasias.
ah,
quanta vida vi escoar no tempo
já nem me lembro de ter sido rapaz
imaginando meu longo experimento
até chegar à meninice fugaz
ah,
de quantas querelas
pintei aquarelas e sobrevivi
outros simplesmente engoli
mas se eu pudesse retornar
crendo na mansidão por vir
iria dizer a meus ex-amores
das brincadeiras das moças
no sarro do primeiro cigarro
vestindo o jeans do anúncio de tv
descrê
repagina nem imagina
sobre meu sonhar a um triz
com meus versos de pés quebrados
escritos nas últimas folhas do caderno
escondidos de meus amigos envergonhados
outros tantos desfiz
para não me acharem diferente do que eu era
tão cordeiro manso tão fera
no meu tudo efêmero tão eterno
me esconder entre os milharais
medroso da ausência física de meus pais
deixando-me o vazio de dias iguais
quanto me assanha debruçar-me
no ombro amigo a absorver meus ais
ah,
o quanto me fascinava
correr livre arisco nos temporais
segredar meus desejos a mim
filho de horizontes-ideais
pois eu pensava que seria mais feliz
mais sábio menos aprendiz
em lições de tantos ancestrais
sem sentir-me feliz jamais
tão querente de minha semente-dor
do tempo a roubá-lo na pétala da flor
ah,
não quero morrer assim
inda quero ver-me numa criança-festança
mesmo no desencanto oposto do sim
quero sim inda xucro correr moleque
serelepe no estradão vermelho sem fim
ladeado de mangueiras e cachoeiras
aspirar o poeirão do vento som de clarim
ver os pássaros em revoadas
no jogo de viciadas cartas
de bocas estúpidas caladas
quais brotam e me derrotam
por inda sentir-me curumim
a escrever passagens sagradas
onde se escondem minhas marcas
viverei a magia de todo dia
sendo velho restolho parco
tão crente na fantasia de merlin
capaz de recolher minha desalegria
pra recomeçar a viver, enfim
***