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A mão esquerda de Deus




 O primeiro sonho.

Pulava um precipício, levitava com 4 anjos.
Ele, ao centro.
Chovia torrencialmente.
Do outro lado, já no chão tátil, os 4 anjos
tornaram-se reais e seguiram  suas direções,
pra esquerda e pra direita, em leque.
Ao centro de seu raio de visão viu uma porta.
Entrou. Dialogou com um ser assentado atrás de uma  mesa
com a plaqueta de 'advogado' ao centro.


Voltou ao presente.

Quando acordou, havia perdido a hora do trabalho.
Resolveu consultar um sábio em assuntos religiosos
para interpretar seu sonho. Ficou sabendo que,
naquele dia, o carro que o levaria ao trabalho
havia caído no mar. Morreram seus 4 companheiros.


Um ano após...

Um pesadelo: estava atolado no barro, estático, e a mão
canhota, negra, de um ser,  fazia bolas de barro e  as 
atirava em seu rosto sob um céu nublado e clima úmido.

Despertou. Foi trabalhar. No meio da multidão, um 
maltrapilho o seguia implorando umas moedinhas. Foi
tocado no ombro e, num momento de fúria,
bateu-lhe com sua valise até o mesmo
cair esparramado e semi-inconsciente. Viu despedaçar
uma plaqueta que juntas, ali na calçada, formavam a
palavra 'advogado'.

Foi até ao viaduto e se atirou. Caiu num vagão de trem
carregado de flocos de espuma. Sobreviveu.
Na primeira manhã, em sua casa, abriu a janela e sorriu
pelo lindo dia de sol. Virou-se ao espelho, viu um arco-íris.

Quase centenário.

10 segundos antes de morrer sentiu-se suspenso e levitando
como se estivesse num balanço com os olhos fechados.
A mão direita de Deus o embalava.


***


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