por debaixo da chuva.




eu vinha debaixo da chuva
da chuva que vinha comigo
na frente um lamaçal
atolava-me até o umbigo

eu vinha com a chuva
não temia o perigo
na pinguela balançante
que balançava comigo

debaixo da chuva
um breve castigo
deslizava nas bibocas
que em pororocas
não me deixavam recuar
pro meu amor antigo

a maria lá do sertão
destramelava a janela
já fuçava no rádio
pra achar nossa canção

certa que eu chegaria lavado
com uma rosa cálida na mão
matutando com seus botões
por que por ela eu tava atraído
 atravessava  quiçaças
derrapante foragido
debaixo da chuva
da chuva que vinha comigo
vendo pipocar os trovões
pra me dar uns safanões
se dela eu tivesse
se dela eu tivesse
sem mentir
esquecido

...
e já estourava pipocas
sem se desesperar
remexendo as panelas
faxinando a tapera
silenciosamente tagarela
à espera
de seu amor bandido
que lhe traria tanto amor
debaixo da chuva
da chuva que vinha comigo

no sertão árido
aonde a chuva é a alegria
um fato novo

e o sol
gira gira triste
e leva a alegria embora...


***




Companheiros de Estrada & Amigos