quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Do Atlântico ao Pacífico





Eu queria ser o andejo
De léguas mil em desvario
Riscar no mapa meu coração livre
Sair do ponto que estou
Atravessar estradas e trilhas
Matas de árvores floridas
Nadar em rios de águas cristalinas
Milhas e milhas de horas esquecidas
Pular as divisas
Do Paraguai
Da Argentina
Ver-te em cada menina
Em palavras amorosas
No português, no espanhol
Chegar ao Chile
E caminhar com Neruda

Duetar com ele um canto de mim

Na orla do Pacífico sem fim.

Depois voltar
Sem deixar escapar
O detalhe de cada olhar
Refazer o mesmo trajeto
Saber que Tu me esperas
No ponto que saí.

Aí então eu entenderia
Que o amor não está na distância
Mas na esperança
Que sentiste na vida fugidia...
Que o amor é o vagar
É a procura incessante
Que em todo esse caminho
Tua falta eu sentia.

E se esta é minha fantasia
Quem sabe a tua não seria
Esperar-me induvidosa
Na sensação gostosa
Para sopresar-me
Vindo ao meu encontro
Num último ato impulsivo
Que o teu querer
No mapa me acharia.




***