poema de amor pungente





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Ó murmúrios das águas claras turbulentas!
Ó espumas flutuantes no vaivém das ondas!
Ó amores fugidios tais barcos na marítima gangorra!
Ó mísera numa ilha cativa na masmorra
Sou o navegante que neste insight tu acalentas
Se, por ti, meus olhos fazem as rondas
Se meu desejo  tua tristeza daí me sondas

Ó oceanos de anos que nos separam!
Ó espaçonaves coloridas de nossas viagens!
Ó miragens grafites de nossa existência!
Ó penitência!
Ó vida efêmera igual tão desigual!
Ó sêmen X sêmen dum ato louco!
Oh! reféns somos desta loucura que nos une!

Rebusco teus traços e abraços
Rabisco na folha minha pueril alma
E  jardins edênicos que pra ti invento
De tuas lembranças me aproprio
Planando como gaivotas no céu
Deixando-me solitário no entardecer
Em que o planger de sinos desperta-me

Oh, mas serão os pássaros saltitantes deste instante
Sinais sagitais opostos à minha sensatez
Ou talvez
Eu seja o mais frustrado dos Ícaros
À espera dum redemoinho que me leve a ti
Pra eterno sentir-me jovem
Se minhas cãs me dizem que os barcos aportaram
Na véspera dum sonho que amanhã vou sonhar 



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Companheiros de Estrada & Amigos