quinta-feira, 26 de junho de 2014

falo do amor






"fales do amor pudico, o que causa rubor face a face,
e que pés dançarinos sentem o chão tremer, ó fales!
do barco ao longe, do peito palpitante e a visão orlada.

pra onde irás? quais teus horizontes? volte!

telúricos, vamos virar às costar pra esse mar;

olhe as nuvens aniladas que rumam a campinas divinais,
parece que dançam como nossas sinas... 
e se há um vácuo entre nós é porque não vimos,
viramos às costas, e fomos..."


por isso...

falo do amor
cravado em meu ser
como pedra irremovível


falo do amor infalível 

não das sombras intocadas

falo do amor

da tempestade à calmaria
a um coração neutro

falo do amor

impregnado
nodoso
que escorreu de minhas mãos
como água que quis segurar

falo do amor

que a vida oprime
por desejá-lo tanto
e morrer sem senti-lo

falo e falo

onde andará
a canção que não me envolve
se quando penso em ti
o mapa é inabitável
no inevitável cantar

falo do amor

não do titerizado
nem do opressor
mas do meu
rompedor de grilhões
dos sentires convencionais;

falo do amor

d'alma 
que no último sopro 
empós da despedida
sente o frescor da vida

falo do amor

excitador de intelectos
línguas de aço
que se amolecem

falo e falo e falo

do amor sem gargalo
dos jás nupciais
da madrasta que aleita o miudo
do padastro que dá seu sobrenome

falo dos ícaros aviadores

que deixam-se iludir com o amor

falo da distância

de mentes aflitas
do desassossego da dor
à procura duma chance
na barragem transbordante
que dos meus olhos
se espraiam em clamor

falo do amor

não me calo
e
com amor
falo e falo
ele está à minha frente
na corrente me jogar
e
em demência programada
falarei e falarei até achá-lo

"ó amada
tão veros os sentires que guardo pra ti
que daqui vejo
as primícias de novas alvoradas
ó amada
vai longe o barco que tu estás
descobri que te amo
no olhar que de mim roubaste."


***