segunda-feira, 11 de agosto de 2014

a ponta aponta



a ponta
aponta
trinca
talha
afiada
...
faz buraco na
terra
só terra
!
soterra

a ponta
racha/fura/finca
sem tempo de espera
rente 
vem
de repente
 na gente
agente
 aguda
ágil/fremente

a ponta
aponta
faz buraco
trinca
talha
afiada
faz buraco na
terra só terra
!
soterra
cava a cova
à sepultura desce
o corpo
do orco
desaparece

quem há de notar
a ponta
do ponto
do ponto a ponto
o réquiem a pontuar
as retículas
concretas
do quadro memorial

se 
a ponta 
arrebata
à direção
 paradoxal

-- do buraco!
-- do oco!
-- do vazio!
-- da morte!
ah, a morte:
estrela cadente
reverso de luz
olho cego ao infinito
...
de ora em diante
só marcas na poeira
do  fosso
do poço
onde nasce a alma
do corpo podre
em decomposição
d-e 
r-e-p-e-n-t-e
d-e 
r-e-p-e-n-t-e
a ponta
intermitente
é um cisco no universo da vida
dá vida
onde o pensamento 
é o  oco
do fosso
do poço
do ponto
do contraponto
...
(um iceberg de ponta cabeça)




***