toques que se perdem.




toquei as plantas dos pés
na relva orvalhada
ladeada de canteiros
aonde descalço
lhe colhia flores campestres
EU ERA CRIANÇA

toquei meus acordes
fiz serenatas à  minha donzela
pra ter dela
um sorriso largo da janela
EU ERA MOÇO

toquei tuas mãos
tímidos nos revelamos
beijei-te o rosto
era  o amor
a chama indolor
química de corpos sãos
fusão de dois ramos

tateei com os dedos
todo teu corpo
me perdi
o desejo  consumara-se
perdi todos os medos
viajante sorri

não há mais relva
nem mais canteiros
apenas tua foto na parede
contando os janeiros


mas há
ainda
um diamante rústico
um sonho rejuvenescido
a cada olhar além
dum símplice dia nascido


SOU VELHO
ainda vejo um menino
atraído ao futuro
pra reviver tudo contigo

vida minha vida
real conto de estrada
por ti sigo
subindo os degraus
da finda morada


***



***









Companheiros de Estrada & Amigos