Caipira Valentão.



" Eh, cumpade!, num vamo ficá enchendo de toicinho
capado gordo. Vamo cantá!"


Lá numa vila pra lá de Ribeirão
Tinha um jeca forte, liso que nem sabão
Era valente, atarracava as muié
Macho com ele falava fino: sim, seu José.

Garanhão peito de aço, rei do pedaço
Mandou pra cova uns vinte, entortou mais de cem
Catava touro pelo chifre, "Deus me livre"
Quem tava jurado não valia um vintém.

Catava touro pelo chifre,
Comia a abelha, o favo e o mel
Rasgava couro que nem papel
Arrancava no tapa guiso de cascavel.

Garanhão peito de aço, rei do pedaço
Um dia, depois de tomar umas doze
Foi pro bailão, atarracou uma tal de Rose.

E corre-mão, e corre-mão
Fazia pose
E amassou, amassou
Foi ficando quente,
E foi descendo, descendo
Garanhão peito de aço
Sentiu algo diferente
Quase caiu de costas, "levou fumo"
O taco da Rose tava no prumo.
"Sai pra lá jacaré!"

Deu porrada e cacetada o canhoteiro
Do salão festeiro só sobrou o letreiro
Apanhou até quem não sabia nada
Sumiu, deu nó em pingo d'água
Deixou a Rose um lixo, toda quebrada.

Agora vem a notícia já faz um mês
Que foi zerado no teco do 'shimitd' inglês
E foi assim, e foi assim
Garanhão peito de aço achou seu fim.

(1998)

Companheiros de Estrada & Amigos