me fale de uma pessoa que nunca quis o paraíso,
que eu te dou o endereço da fonte da juventude.
me fale da fórmula pra curar os males mundanos,
que eu te dou a chave da porta eternal.
me fale por que só os loucos sabem amar,
se o amor, pra eles, é um ato capaz de
intimidar a ira extrema, mas também
causar a revolução, quando, incompreendidos
e descartados, fingem estar mansos pra
desdenhar de sua loucura aparente.
não me fale dos loucos, se você
não é partícipe da loucura.
mas, o que é ser normal?
me fale do giro do catavento, tipo som do tempo,
e iluda-me com aquele mundo intraterreno,
e eu te provarei que tudo é ilusão, tudo é energia,
tudo é reflexo e invisível, e, nosso ciclo
resumir-se-á num epitáfio em algum lugar para ser
esquecido tal giro do catavento travado pela ferrugem...
me fale de almas bandidas de pessoas más,
vagantes sem direção, que eu talvez consiga
te descrever as mesmas como microestrelas negras
levadas pela lei gravitacional ao vazio da ilusão do firmamento.
me fale que hoje você viu um bêbado gritando pela
calçada, urinando em si mesmo, e rindo de sua
desgraça, afinal é na rua, como um desconhecido,
o lugar onde reside sua ideia de liberdade.
me fale, por favor, aí eu te contarei e te mostrarei
o lado dois de todo homem genial, creia,
até eles, assim como nós, têm seus momentos bestas
e se lambuzam e se lambuzaram no idiotário vivencial.
(fim da primeira parte)