sexta-feira, 30 de junho de 2017

sabes, ou só eu posso responder?







sabes da ossatura
do meu silêncio
do alvor pela fresta da janela
da caravela colorida
em lampejos pictóricos
no posfácio de cada minuto

sabes?

o moinho gira-mundo
devassa os sonhos
(nas notas duma melodia)
desmancha as teias
(num sopro renovável)
desarruma as sombras
(como espectros mutantes)


sabes do meu escuro
onde vivem vozes antigas
mescladas com meus monólogos
 sabes dos meus novelos da hora
enrolados no pulso


sabes?
sabes?!!

sabes que a lida tece artimanhas
de minha doce palavra
tal fruta enrolada em papel de vento

sabes do som do catavento
e dos umbrais
para a estrada das pedras
do limboso espelho do tempo
?

sabes das minhas privações
das folhas mofadas ao relento
dos frutos entre as folhagens
cortinas dum show
que se aporta em meus olhos
e vaga à terceira margem
de rios invisíveis
?

sabes 
que o amor flutua
e tira os alicerces da casa

sabes 
da água rasa
da brasa
fluente de minhas lágrimas
a amarelarem meu travesseiro
com pedaços de mim
...
dos meus gestos prematuros
do baluarte dos meus braços
até ontem imortais
?

sabes que me embebece
com tanta futilidade
até  eu esquecer
que apenas viajo no tempo
à procura dum nicho
em que almas risonhas desfrutem
perfiladas nas calçadas
o cortejo de minha parca história



sabes?
que sua indecifrável escrita
dói demais
até eu ser um ser
que ninguém jamais concebeu
no baú das ilusões
...
e a epígrafe deste
é minha inconteste
perseverança em  prosseguir
...?

sabes ou não
da vaga premonição
que nos infiltra
à nova atração
de afazeres & pensares
do senso comum
apesar do roteiro plural
apesar de
...
saibas


?




***







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