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atrás das pálpebras.







atrás das pálpebras.




atrás das pálpebras, o amor, lisonjeiro,
desfila nas trevas.
haverá outro, tão perdido, que se manifeste
à luz do dia pro louco, enigmático, escondido
sob os disfarces da razão até que o delírio dele
se apodere atirando-o a um corpo onde
enterra, sem desejo, a oferta mais
terrível da vida?


atrás das pálpebras vagam sonhos natimortos,
capazes de moldar olhares funestos e
enfurecidos numa sinfonia de réquiens
dissonantes pela única certeza pendente:
a da inércia dos pulos emocionais
a vazarem em gotas lacrimais no vasto
oceano: espelho da própria existência.


atrás das pálpebras tecem-se teias de
inconformismo, prazeres ineludíveis,
situações indescritíveis de uma prisão
inobservada pelo interior de almas
gravitantes, geradoras da realidade.


atrás das pálpebras mora o esgotamento
de novos experimentos, um dínamo vagaroso
e, talvez,
a libertação de tudo esteja no ato de fingir sobre
coisas e fatos inalcançáveis para, após, somente
se observar a intermitente metamorfose
dos peregrinos de uma certeza única, ou, 
ainda, nichos
de interiores cegos, surdos e
mudos com intuições irrespondíveis.


***



1/3 que me resta viver.

 




 1/3 que me resta viver. 
(a fase descendente)



A carta empoada sem resposta.

A água batismal que, pela dúvida, se evapora.

Diário amarelecido
de folhas enrugadas em branco.

Desmonte do muro de pedras limbosas.
Levante de outro com as mesmas pedras.

Ver de binóculos do alto sem inalar o pó.
E do ponto percorrer a estrada:
Filme que se quer participar de enredo inescrito.


***

Desejo.





Trago teu encanto no olhar,
no desejo crescente de cada pensamento
proibido de prazer e sedução.
Imagino minhas mãos tateando tua pele,
bem devagar, sentindo arrepios em
fuga de teu corpo.
O coração dispara... e a vontade de tê-la
mais perto torna-se insuportável.
Perco a noção do tempo, se já me
entrego à tua boca, ao teu toque,
para nossos corpos conversarem em
silêncio no ritmo intenso,
no particular que só a gente entende.

_Rehgge)


À procura nossa de cada dia.

 



Saiu em busca da felicidade que perdera em algum lugar do passado.
Tardiamente, pensou. Enfim, saiu sem rumo pelas ruas da cidade
com o olhar fixo em cada transeunte.
Na praça, havia alguns palhaços entretendo velhos e moços sorridentes.
Ah, aí está a felicidade, pensou. E ficou ali prostrado, e logo todos
foram se dispersando, cada um com sua fisionomia pela abstração
passageira. E viu que, na verdade, a felicidade era apenas o momento
no qual a gente se esquece de tudo e ri sem querer de algo ou situação
na qual, tal fumaça, se dilui no ar levada pelo vento aos confins...
Voltou para sua casa com a certeza de a vida ser feita de pequeninas
pedras desenhadas numa estrada em branco; dentre elas, há algumas
coloridas, raras, tais respostas ao sucesso. Quando se encontra uma,
o riso é certo: é o momento feliz de gente insistente.
Amanhã sairá de novo para descobrir outra variante de sua procura.




(Rehgge)