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geracional...








olha!
não sei onde
bem lá tem um lugar
lá longe
tá vendo?
se eu lá chegar
estarei perto do fim
perto da paz
o que deixarei pra trás?
sei lá
minha passagem esquecida
sem nunca ter tido um rumo
ah
o que gerei?
a não ser
uma sinuosa rota invisível
sem saber o sentido
do porquê manter-se vivo
...
se
no contexto geral
a despercepção da 'vida que segue'
é ter-se uma abreviação
de dias eternais
de uma vã sabedoria palavreada
e inescrita...

olha!
tá vendo
essa tal morada das almas
fustigando meu inconsciente?
não sei não
mas existe
bem lá
em algum lugar



***








renovo normal.

 






cara e cabelos coloridos
notem
quem quer ser notado

o cinema mudo
em preto e branco
ofusca todas as cores

um tatoo diz mais que um gibi

no final
a juventude vai embora
cai-se na real

o ciclo torna tudo cafona
tipo
o elástico vai e volta
depois bambeia
kkk


porra
não vou dizer 
"no meu tempo era tudo azul e moderno"

novo sou eu mesmo
há sempre a tendência
penso
de se acompanhar o show da vida
da arquibancada
ou
acompanhar a massa 
idiotizada do novo normal
em que a tecnologia
na verdade
separa as pessoas

quer saber
sem ser saudosista
eu gostava de escrever cartas manualmente

(será tudo um treino de se viver em grupo
e sentir-se cada vez mais sozinho?)


***






prazo de validade.

 







chorar de rir
rir de não chorar

algo prende 
algo solta

duas taças:
a da amargura
a do descarrego

sentimentos podem ser
forjados
manipulados

maquiagem é para os fracos
os fortes têm sim duas caras

há uma autoblindagem
no âmago de cada um

um túmulo silente
sumo a tornar-se pó



***




poema de Amor

 





NA. 'talvez meu poema de amor mais pungente e que transcende a minha mais eloquente expectativa."








*****






Ó murmúrios das águas claras turbulentas!
Ó espumas flutuantes no vaivém das ondas!
Ó amores fugidios tal barcos na marítima gangorra!
Ó mísera numa ilha cativa na masmorra
Sou o navegante que neste insight tu acalentas
Se, por ti, meus olhos fazem as rondas
Se meu desejo  tua tristeza daí me sondas

Ó oceanos de anos que nos separam!
Ó espaçonaves coloridas de nossas viagens!
Ó miragens grafites de nossa existência!
Ó penitência!
Ó vida efêmera igual tão desigual!
Ó sêmen X sêmen dum ato louco!
Oh! reféns somos desta loucura a nos unir

Rebusco teus traços e abraços
Rabisco na folha minha pueril alma
E jardins edênicos pra ti invento,
De tuas lembranças me aproprio
Planando como gaivotas no céu
Deixando-me solitário ao entardecer
Sob o planger de sinos a desperta-me

Oh, 
Mas serão os pássaros saltitantes deste instante
Sinais sagitais opostos à minha sensatez
Ou talvez
Eu seja o mais frustrado dos Ícaros
À espera dum redemoinho a levar-me  a ti
Pra eterno sentir-me jovem
Se minhas cãs me dizem ver barcos aportados
Na véspera dum sonho que amanhã vou sonhar 
?



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