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me fale... (1)



me fale de uma pessoa que nunca quis o paraíso,
que eu te dou o endereço da fonte da juventude.

me fale da fórmula pra curar os males mundanos,
que eu te dou a chave da porta eternal.

me fale por que só os loucos sabem amar,
se o amor, pra eles, é um ato capaz de 
intimidar a ira extrema, mas também 
causar a revolução, quando, incompreendidos
e descartados, fingem estar mansos pra 
desdenhar de sua loucura aparente.
não me fale dos loucos, se você
não é partícipe da loucura.
mas, o que é ser normal?

me fale do giro do catavento, tipo som do tempo,
e iluda-me com aquele mundo intraterreno,
e  eu te provarei que tudo é ilusão, tudo é energia,
tudo é reflexo e invisível, e, nosso ciclo
resumir-se-á num epitáfio em algum lugar para ser 
esquecido tal giro do catavento travado pela ferrugem...

me fale de almas bandidas de pessoas más,
vagantes sem direção, que eu talvez consiga 
te descrever  as mesmas como microestrelas negras
levadas pela lei gravitacional ao vazio da ilusão do firmamento.

me fale que hoje você viu um bêbado gritando pela
calçada, urinando em si mesmo, e rindo de sua
desgraça, afinal é na rua, como um desconhecido,
o lugar onde reside sua ideia de liberdade.
me fale, por favor, aí eu te contarei e te mostrarei
o lado dois de todo homem genial, creia,
até eles, assim como nós, têm seus momentos bestas
e se lambuzam e se lambuzaram no idiotário vivencial.



(fim da primeira parte)















Pu e Pá.






se Pu desse
teria dado o Pu
se pudesse

se Pá desce
teria dado a Pu
a pá
se pudesse

Pu padece
se Pá 
a pá
desse


(((











geracional...








olha!
não sei onde
bem lá tem um lugar
lá longe
tá vendo?
se eu lá chegar
estarei perto do fim
perto da paz
o que deixarei pra trás?
sei lá
minha passagem esquecida
sem nunca ter tido um rumo
ah
o que gerei?
a não ser
uma sinuosa rota invisível
sem saber o sentido
do porquê manter-se vivo
...
se
no contexto geral
a despercepção da 'vida que segue'
é ter-se uma abreviação
de dias eternais
de uma vã sabedoria palavreada
e inescrita...

olha!
tá vendo
essa tal morada das almas
fustigando meu inconsciente?
não sei não
mas existe
bem lá
em algum lugar



***








renovo normal.

 






cara e cabelos coloridos
notem
quem quer ser notado

o cinema mudo
em preto e branco
ofusca todas as cores

um tatoo diz mais que um gibi

no final
a juventude vai embora
cai-se na real

o ciclo torna tudo cafona
tipo
o elástico vai e volta
depois bambeia
kkk


porra
não vou dizer 
"no meu tempo era tudo azul e moderno"

novo sou eu mesmo
há sempre a tendência
penso
de se acompanhar o show da vida
da arquibancada
ou
acompanhar a massa 
idiotizada do novo normal
em que a tecnologia
na verdade
separa as pessoas

quer saber
sem ser saudosista
eu gostava de escrever cartas manualmente

(será tudo um treino de se viver em grupo
e sentir-se cada vez mais sozinho?)


***