sexta-feira, 25 de junho de 2010

Pensando em meter com um poema me incomodando.



A palavra que me veio: cordonê: o fio da meada. Pontos
 de crochê, uma agulha nas mãos rústicas de um sujeito
carrancudo, machista -- que não vê sentido na Parada Gay
em Sampa, BR. Comércio, só isso. Serei eu mesmo?

Eu pensando, às 3h30, na Karla Tric-Tric. A calcinha dela,
rosa, debaixo do meu travesseiro. Não, não. Pausa: preciso
ajeitar a lanterna de 12 leds, pois a luz do quarto queimou.

22 de junho de 2010: Portugal, ontem, goleou a Coreia do
Norte por 7 a 0. É. Minhas lágrimas ao Prêmio Nobel de
Literatura José Saramago, grande perda em contraste
naquilo que dizia ser "sua rescisão de contrato temporário
a que chamamos vida". Enfim, a África está em festa, quer
dizer, a África da TV. Cadê as notícias do meu país?
Tenho receio de festas. Haja canetada na Corte. E o
povo preocupado com a escalação do escrete brasileiro...

* O poema com o pênis ereto e vagos pensares.

Peguei a calcinha rosa da Karla, apertei-a na mão e
esmurrei a parede. A calcinha estava limpa, ok.
Karla tinha mania de perfumar suas roupas íntimas.
Nunca quis transar comigo, pois me tinha como irmão.
E, começando a masturbar-me, a palavra 'cordonê'
cotucava paralelamente  meu imaginário: ela despindo-se
aqui e dizendo-me 'te amo'.
Pra tornar possível meu desejo vi-me dopando-a com
uma fórmula mágica ou, talvez, sei lá, colocando-a em
sono profundo por 12 horas em que eu fizesse com ela
tudo quanto é sacanagem, o que me daria munição pra
longos anos de estímulos sexuais, até eu projetar outra
ilusão sem o tal poema, o da palavra 'cordonê' me
impacientando. Coisa que poeta/escritor pensa, mas
não revela, sabe cumé?

Antes de eu ejacular, porém:
"branco é o cordonê
na agulha do nego pardo
de mãos de pedreiro, direi
no pano branco
tipo estola de rei
crochetando
manchas leopárdicas
em traços de desenhos infantis
sem maldade, pueris".

Que merda. Loucura é o pensamento 2 sobre o
mesmo tema:

A cor do Nê é negra
Seu cordonê é branco,
Como pode masturbar-se
Imaginando crochetear
As barras dos guardanapos
Que mandaria pro Vaticano
Pro papa benzer?

Às vezes não separo as coisas. Penso em sequência.
Penso que estou contaminado pela maxi-informação.
Mas um gozo dura segundos só meus no vácuo
que me surge...


CONCLUSÃO FINAL.

Gozei. Um gozo, tipo 1 a 0, na prorrogação.
Enfiei a calcinha da Karla pra debaixo do travesseiro.
Preciso duma folha e de um lápis pra esboçar um poema
sobre o 'branco cordonê', ou, a cor negra do Nê. Hummm!
Por que será que toda vez, num momento de prazer, no
silêncio da madrugada -- me vem um pensar de céu e inferno,
de dois extremos, de um artista que pensa em meter e mete
pensando na musa a descontrolá-lo em sua real vocação?

Estressei. Vou pegar essa porra de palavra -- cordonê --
e vou trançar uma corda pra enforcar-me. Vou me
amordaçar com a calcinha rosa, amarrar o laço na grade
da cama, abrir a janela, e me atirar. Não dá!, moro em
casa térrea! Mas, se desse, com certeza, eu, quase
esticando as canelas, tentaria ainda fazer versos sobre
o que me incomoda. Precisaria sentir esse momento pra
fazer um poema autêntico. Vejam que estou mudando
de assunto, mas um poemeto tipo 'Suicidou-se após
masturbar-se' é coisa de louco.

Alô-alô, nova escola freudiana! Fiz uma descoberta!
Descobri que, apesar dos 'ais e uis' do(a) parceiro(a),
o gozo é unilateral, é egoísta; é uma ideia maluca; é
querer defecar quando se está ressecado: faz-se força,
mas o cocô não sai. Um laxante traz o sorriso, um raro
momento de prazer.

Mas, pensem bem, se a Karla fizesse sexo comigo,
eu não precisaria mais desejá-la, o encanto se perderia.
Aí eu desenrolaria o novelo sob outro prisma: "Pensando
num poema com uma metida me incomodando..." Será?



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