segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Campo Belo.




No campo belo
na estação
doce cor de caramelo
ela esperava
com o lenço úmido na mão

desconversava
ao indagar-se sobre quem

mas amiúde
num olhar profundo e distante
ela esperava

que num átimo
o raptor de seu amor
colocasse-a na garupa do alazão
pra seguirem sem rumo

como o passaredo
que voasse do chão
e se refugiasse
num novo olhar
numa nova vida
em que a ferida de uma espera
cicatrizasse
seu peito em aflição

antes, muito antes
que o passaredo
voltasse ao chão
e seu lenço
como seu pensamento
 o vento levasse
secando as lágrimas
que jamais retornariam então



(hoje, 04/10, 8h)