sábado, 10 de março de 2012

Poema do Pindaré



Ah, Pindaré, Pindaré
Tu és homem de muita fé
Quando tem uns trocadinhos
Para pra tomar café,
Lá do alto da capela
Da Capela São José
O padre abre a portinhola
Olha os pedintes de esmola
E também diz:
Ah, Pindaré, Pindaré
Tu és irmão de muita fé;

Ganhou no jogo
Pôs todo dinheiro no andor
O padre ali presente
Em troca lhe deu uma flor
E a bênção eloquente:
Ah, Pindaré, como tens fé
Tu que és  homem de valor

Outro dia de sorte
Arrumou uma fulana
Tanto quanto ele cigana
E se foi pro Norte
Trabalhar com gado de corte,
Tempos depois retornou
Magro que nem taquara
A fulana quis a morte
Porque toda sorte acabara


Voltou mais ajuizado
De coveiro se empregou
E todo povo dali dizia:
Ah, Pindaré, Pindaré
És homem de muita fé

E lá da capela amarela
Donde o padre o espiava
Cavando dia após dia
O padre com seus botões
Pra Pindaré orava:
Ah, Píndaré, Pindaré
Tu é que tem fé

O homem mais rico morrera
E seguiu-se o cortejo
Com a ladainha em latim do padre
Num dia treze,  sexta-feira

Eis que na cova recém -aberta
Encontraram o corpo inerte de Pindaré
O padre se adiantou
Logo falou:
Ah, Pindarè, Pindaré
Homem de pouca fé,
Tirem já esse corpo daqui
Onde já se viu
Maltrapilho em cova rica
Enterrem-no com a ralé!

“Ah...Pin-da-ré...”

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