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poema universal *





Pra mim não existe raça
Somente indivíduos
Se se marcaram homens a ferro
Tinham, em comum, os umbigos


Se se circuncidam ainda,
Se se autoflagelam
Em costume milenar
Tanto eles
Como os a ferro feridos
De suas terras estão espargidos


Eu
Que nem sei d'onde vim
De que terra, de que tribo
Digo, falo em português:
Bom  é sentir-me gente
Se voo a todo continente
Em passos ao chão rente


Quem me dera
Ó filhos da insensatez
Falar em todas as línguas
Pra expressar
Que somos todos iguais
Filhos de quem o umbigo fez



***

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