domingo, 20 de abril de 2014

NUM ÁTIMO DE ESPERANÇA



NUM ÁTIMO DE ESPERANÇA



Tiraste-me a atroz expectativa de não saber - pela boca -
ficar em paz. Por que viver sob a túnica da tristeza, se é contigo
que posso descrevê-la?



Tiraste-me do imo a metáfora que mil sábios não decifrariam.
Por que viver encobrindo-me com palavras, se é contigo que posso
entendê-la?



Tiraste-me os descaminhos de saber-me inseguro e crer em mim
mesmo. Por que ser mais um nômade por aí, se contigo, seguro, qualquer
lugar é o meu acreditar de ver o futuro, o mundo qual uma estrada,
minhas pernas de pensar?



Tiraste-me toda podridão social, e minha pureza consumida se refaz.
Por que ver com os olhos dos outros, se com os meus vejo os outros com os teus?



Tiraste-me o epílogo desta prosa, que noutro momento, doutra forma
findarei. Por que não viver de recomeços, se há uma chance de eu fazer sozinho
tudo dar certo?


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