pingos de chuva











pingos de chuva
lavam os sais
da face
dum corpo suado
nascem os ais

pingos de chuva
não lavam jamais
não lavam jamais

não há rosa-dos-ventos
só o moinho
do que ficou
de desencantos tais

pingos de chuva
chove chove        chora
                            a mísera dama
dona dos temporais

pingos de chuva
tão dóceis
o náufrago
vieram sufocar

levaram as lágrimas
as cinzas
pro cinzamar
que o vento espargiu
do peito sem direção

pra voltar amiúde
em respingos
ao alvo
à dor da ingratidão


***

Companheiros de Estrada & Amigos