Como posso querer-te sem os nossos segredos...?




Ainda estás
boca a boca comigo
em sufocadas palavras,
e um orgasmo imaginário
todo meu ser resume.
Temo pela tristeza que me trazes
e a não ficção destas,
pois só assim
no meu fracasso de ser-lhe tudo
quero ver-me te abraçando.
Perdi o dom pueril
- progredi -
mas o presente
tua ausência faz-me lembrá-la
nos meus antigos costumes...
Tens ainda a inocência?
...tens ainda o sonho jovem,
a ilusão vital?... tens?...
tens ainda a beleza
perfeita da flor
nascida à inspiração,
pra na tez de toda manhã
ser uma
sutil pelo perfume,
que regando, criando
conquisto
na pequenez dum jardim
o teor sensível,
se já és pálida
mas não morres
na corda-bamba do meu viver?
Não... não
não vou jogá-la ao esquecimento,
não me iludo
a buscar escapismos descartáveis...
vives em mim pra eu achar-me
só em segredistas reflexões...
como posso falar nelas
num querer
se o meu... se o meu
outro querer - outros querem!...
E quantas noites, sem sono,
aqui em seus braços estive?
Me é feliz esta
utopia - passo - marca,
passo, o mesmo jeans,
o maço, a marca marcou,
a fumaça se perdeu
no tatear desta calvície...
curta cultura - digo
cultura curta - sigo
sendo eu
culpado à solidão
alienado
do besteirol romântico
programado
do leite ao álcool
nos febris jás dos encantos.
Lembro-te,
pois incerteza é...
é desconhecer-me em experimentos
no frescor de idas frustrações...
é...
minha mutação facial
nos porquês que hoje os sei.
Mas é melhor chorar
a não ter recordações
ou
entregar-me sem ser todo
certo duma outra história.




(rehgge, 1998)



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