poema do Pindaré.





Ah, Pindaré, Pindaré
Tu és homem de muita fé
Quando tem uns trocadinhos
Para pra tomar café,
Lá do alto da capela
Da Capela São José
O padre abre a portinhola
Olha os pedintes de esmola
E também diz:
Ah, Pindaré, Pindaré
Tu és irmão de muita fé;

Ganhou no jogo
Pôs todo dinheiro no andor
O padre ali presente
Em troca lhe deu uma flor
E a bênção eloquente:
Ah, Pindaré, como tens fé
Tu que és  homem de valor

Outro dia de sorte
Arrumou uma fulana
Tanto quanto ele cigana
E se foi pro Norte
Trabalhar com gado de corte,
Tempos depois retornou
Magro que nem taquara
A fulana quis a morte
Porque toda sorte acabara


Voltou mais ajuizado
De coveiro se empregou
E todo povo dali dizia:
Ah, Pindaré, Pindaré
És homem de muita fé

E lá da capela amarela
Donde o padre o espiava
Cavando dia após dia
O padre com seus botões
Pra Pindaré orava:
Ah, Pindaré, Pindaré
Tu é que tem fé

O homem mais rico morrera
E seguiu-se o cortejo
Com a ladainha em latim do padre
Num dia treze,  sexta-feira

Eis que na cova recém-aberta
Encontraram o corpo inerte de Pindaré
O padre se adiantou
Logo falou:
Ah, Pindaré, Pindaré
Homem de pouca fé,
Tirem já esse corpo daqui
Onde já se viu
Maltrapilho em cova rica
Enterrem-no com a ralé!

“Ah...Pin-da-ré...”




***

Companheiros de Estrada & Amigos