atrás das pálpebras o amor, lisonjeiro,
desfila nas trevas.
haverá outro, tão perdido, que se manifeste
à luz do dia pro louco,
enigmático, escondido
sob os disfarces da razão até que o delírio
dele se apodere atirando-o a um corpo onde
enterra, sem desejo, a oferta mais terrível da vida?
atrás das pálpebras vagam sonhos natimortos,
capazes de moldar olhares funestos e
enfurecidos numa sinfonia de réquiens
dissonantes pela única certeza pendente:
a da inércia dos pulos emocionais a vazarem
em gotas lacrimais no vasto
oceano: espelho da própria existência.
atrás das pálpebras tecem-se teias de
inconformismo, prazeres ineludíveis,
situações indescritíveis de uma prisão
inobservada pelo interior de almas
gravitantes, geradoras da realidade.
atrás das pálpebras mora o esgotamento de novos
experimentos, um dínamo vagaroso e, talvez,
a libertação de tudo esteja no ato de fingir sobre
coisas e fatos inalcançáveis para, após, somente
se observar a intermitente metamorfose dos
peregrinos de uma certeza única, ou, ainda, nichos
de interiores cegos, surdos e mudos com
intuições irrespondíveis.
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